Revista Odù: Contracolonialidade e Oralitura - Jade Alcântara Lôbo
Ago,
Mokuiu, Motumbá, Kolofé, a benção às mais velhas, às iguais e às mais novas
Laroie, Bandagira, Saravá, Mojubá
pedimos licença para confluir e compartilhar nosso propósito.
A palavra Odù faz referência aos 16 signos de Ifá, o deus do conhecimento, precursor
das artes, das palavras e da oralidade. Presente neste mundo para nos elucidar, ele nos
auxilia em nossa jornada no ayé (a terra). Os Odùs são os mensageiros e guerreiros de
seus conhecimentos e agregam todo o saber existente nessa terra decifrando passado,
presente e futuro. Por isso, seguindo esses saberes, nossa revista ouve essas poesias
primordiais da ancestralidade, confluindo-as com a experiência afroindígena na diáspora
e projetando as oralidades como as raízes que se fundem em rizomas, criando redes entre
os povos contra-coloniais, confluindo as suas histórias de luta, de resistência e de beleza.
Oralitura é um termo emprestado da Leda Maria Martins, poeta, pensadora e
tradutora de linguagens que transita entre a teoria e a poesia; o reinado e a academia; o
texto e a performance. Como rainha do reinado do Rosário do Jatobá, propôs o conceito
de Oralitura para nos dar outras chaves e epistemologias possíveis a fim de pensarmos
sobre as performances negras, nosso registro oral, práticas, fazeres. Nós compreendemos
que essa forma de interpretar as diferentes experiências narrativas e literárias dos
corpos negros também se integra às experiências, corporeidades, saberes, fazeres e
performances indígenas.
16/03/2022