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Tainã Agenda - 28 de Novembro 2023
Cotas Unicamp

Cotas Unicamp

Boa tarde povo de guerra, boa tarde! Sankofa. Bom, ainda não tenho palavras para descrever o que foram os últimos dois dias para mim. Legado de anos, que outros e outras nos deixaram a responsabilidade de dar continuidade para sacudir a história. Acredito que foi um caminho duro para todas e todos que não cederam frente ao desprezo, desrespeito e violência daqueles que pouco se importam conosco... Entretanto, estar ao lado de pessoas Milena Oliveira, Leticia Pavarina, Thaíse Colletti Pavani, Mari Ana, Carolina Bonomi, José Victor, Alexandra Ramos, Camila Colombo, Anselma Sales, Daniela Caetano, Veridiana Alves, Du Kiddy, Zafirah Alimah Hafsa, Victor Sampaio, Ana Carolina Borges, Rodrigo Costa e Daniela Vieira entre outros e outras, que tanto me deram carinho e apoio, foi fundamental para que essa cabeça aqui não estourasse e os sofrimentos fossem menores. Entre esses trancos e barrancos, fortaleci amizades que foram imprescindíveis como a de Teófilo Reis, sempre disposto a ouvir, ajudar e confortar quando preciso, fazendo o uso de sua presença ou de suas poucas, mas acertadas palavras. Também aumentei minha família pois, o apoio do meu irmão Bruno Nzinga Ribeiro, pessoa que tanto amo, foi fundamental para esse corpo preto aqui ficar manter-se de pé e levantar quando caiu, como, também, para alguns dias sorrir e outros encarar a vida. Durante horas dentro do tribunal dos homens brancos que ainda acham que podem brincar com o nosso futuro, eu olhava pela janela e via rostos que me faziam ficar feliz, como o de Aldair Carlos Rodrigues, meu mais novo grande professor, e o de Renata Cristina Cardozo. Ao olhar para o lado, era impossível não se sentir satisfeita por ter sido aluna de pessoas descentes, dignas e incríveis como Mário A M Silva, a quem tenho muito respeito, e professoras como Lisa Earl Castillo e Ana Flávia Magalhães Pinto que, mesmo longe, estavam lá. Sem contar o ORGULHO e a felicidade que cada dia é maior por ter como orientadora Lucilene Reginaldo, minha grande mestra que me ensina até nos seus momentos de silêncio. Ao sair daquele prédio a sensação foi única em ainda ver esperança e lágrimas nos olhos dos meus colegas e receber os abraços calorosos que eu precisava, na ausência dos da minha mãe Solange Silva, de pessoas que, de alguma forma, se fizeram presentes na minha caminhada como Marilea Almeida, Carolina Santos Pinho, Cinthia Vilas Boas, Célia, Carmen Sousa e da querida Tida que me confortou com belas palavras. O dia 30 de março de 2017 foi um dia de muita vitória, com certeza, mas acredito que foi só o primeiro momento, pois ainda tenho fé em melhores dias que serão os próximos, os quais não seremos mais desqualificados, mal tratados e nem humilhados por existir, por querer algo que é direito nosso. Dias em que outras pessoas como eu não tenham uma memória de dor, sofrimento dos lugares por onde passam e que não tenham que pagar com os próprios sonhos, com as próprias vidas. As cotas são apenas um passo na luta árdua contra a pobreza e o racismo. Luta do povo negro brasileiro que fez de mim outra pessoa, outra Taina. Sendo assim, demonstro meu respeito a todas e todos que vieram antes de mim, reverencio às minhas mais velhas e os meus velhos pelo simples fato de terem existido e registro meus agradecimentos a TC Silva, Alceu Jose Estevam, Dona Sinhá, Maria Regina Teodoro e Regina Simião - mestras e mestres da vida. Peço a benção às Ekedis Edna Almeida Lourenço e Magali Mendes e agradeço a minha mãe por ter colocado vcs, duas mulheres de luta, na minha vida. Todo meu carinho para os quilombistas do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp e sinceros abraços para meu colegas da Frente Pró-Cotas UNICAMP. Minha solidariedade a Gui Montenegro. Que possamos seguir com força na contramão do retrocesso. Ainda choro pelas graças que os ventos nos troxeram.

02/06/2017
Coletivo Casa Preta -  2015

Coletivo Casa Preta - 2015

A Casa Preta surgiu do encontro de quatro jovens negros no estado do Pará em 2008, jovens esses que não são paraenses. Rafael Gomes e Anderson de Sousa (Don Perna) que vieram de Campinas-SP, e Lourenço Ribeiro (Negro Guinê) de São Luiz-MA. Rafael Gomes desistiu da Região Norte logo no inicio do projeto porém Lamartine Silva (Negro Lamar) também de São Luiz veio fortalecer a caminhada. Don Perna veio para o estado do Pará trabalhar com inclusão digital através de um programa do Ministério da Comunicação, porém ele já tinha 10 anos de trabalhos comunitários com percussão e tecnologia social num quilombo urbano em Campinas. Negro Guine era professor de Dança-Afro e rapidamente se conectou com a ideia de apropriação tecnológica fazendo o entrelaçamento da tecnologia e da dança afro em seus trabalhos nas áreas de quilombo. Negro Lamar há 15 anos pertencia ao Movimento Hip-Hop, cantor e articulador social em todo Brasil. A amizade e a militância entre os três cresceu com o passar do tempo e as atividades do movimento negro e movimento Hip-Hop pela cidade se fortaleceram. Negro Lamar e Negro Guine também passaram a prestar serviço na área de tecnologia para o Ministério da Comunicação. Don Perna os convidou para dividir o aluguel de sua casa e abriu suas portas para criação de um espaço coletivo que propusesse atividades culturais e sociais para o bairro. baobaxia.mocambos.net - mapa.mocambos.net - wiki.mocambos.net

09/01/2016